SALA A
Esta sala é sobre a minha infância. Os meus verões azuis. O meu pai nasceu na Nazaré. A minha mãe não. Quando eu era pequeno, tínhamos um sótão na Nazaré, onde passei muitos verões. Eram meses de brincadeira, ondas e alguns escaldões, numa praia com eléctrico e cinema. Lembro-me do mar gelado, da humidade nocturna, das bolas de Berlim da pastelaria Batel, daquele dia em que ganhei as Construções na Areia, dos expressos Lisboa-Nazaré e do Sítio (a parte alta onde habita alguma da população, onde está a capelinha de Nossa Senhora e onde acontecem as festas com carrinhos de choque).
Para Roque Gameiro a Nazaré era um hábito. As gentes de Minde iam muito para ali em passeio de banhos. O artista levava a família a dar uma volta, sem prever que uma das suas filhas haveria de casar com Leitão de Barros – realizador de dois filmes sobre aquela terra de pescadores. Roque Gameiro apaixonou-se pela paisagem selvagem, com rochas cheias de luz e um mar renhido e perigoso.
Para mim a Nazaré será sempre aqueles fins de tarde na esplanada, ou na praia com o Sol a fugir e as senhoras que vendiam bolos a despachar doces embrulhados em papel grosso.
Hoje o sótão está inabitável. Precisa de obras e somos (eu, a minha irmã e os meus pais) grandes demais para lá viver. E já nos mudámos para uma outra casa que fica na ladeira daquela praia. Às vezes custa um bocado a subir. Mas a descer, até o D. Fuas Roupinho ajuda.
Postais com reproduções de aguarelas de Roque Gameiro. Edição dos CTT // Notícia sobre as construções na areia, na praia da Nazaré, em Agosto de 1989 – ano em que ganhei no meu escalão // O milagre de Nossa Senhora da Nazaré
Eu e o meu pai, na piscina de S. Pedro de Moel // Nazaré no Inverno. Praia e esplanada de S. Miguel // Eu e os meus pais na praia // No nosso sótão na R. da Saudade, na Nazaré // A família num casamento na igreja do Sítio da Nazaré. Eu com lacinho azul // No externato Anjo da Guarda. Carnaval. Eu de pescador nazareno. // Eu, a minha pequena irmã e o meu pai, num dos muitos piqueniques nas matas à saída da Nazaré // Num dos muitos verões passados com o meu primo, na Nazaré // Eu, o meu primo e o meu avô, no ainda-em-construção porto da Nazaré
Eu no sótão, bronzeado e a ouvir a rádio Nazaré // Um mergulho // Verão na Nazaré tinha sempre a bóia das bolinhas da minha irmã e passeios no cavalinho da pastelaria Batel // Eu e a minha irmã nas piscina de S. Pedro de Moel, para onde se ia muito quando o mar na Nazaré ficava bravo. Era o final do mês de Agosto…

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